quinta-feira, 7 de junho de 2018

The Black Crowes – Amorica


Bem vindos!

Conforme prometido, contínuo minha incursão despretensiosa nos vales de chumbo Zeppelinianos, tentando provar o improvável: o Led criou tendência, formatando uma linearidade temporal de passado, presente e futuro. Neste post discorro sobre o presente!

“Banda do presente? Os caras se separaram em 2015, não fode!” Eu sei que os muitos (dois, o Betão e eu) leitores do Blog devem estar se perguntando por que escolhi Black Crowes, uma banda que mais anda separada que outra coisa, como a perspectiva presente de Led. Em minha defesa alego que Black Crowes é uma banda com potencial de fazer algo relevante para o rock, mesmo tendo que lidar com os egos explosivos e incompatíveis dos irmãos Robinson - quem conhece a história da banda sabe do que estou falando. Acrescento ainda que os caras já encontraram a sonoridade e identidade deles, produzindo um conteúdo totalmente autoral e magnífico!!! Eles foram e voltaram várias vezes (tipo o Scorpions) então ainda tenho fé que voltem o quanto antes.


E por que o Led do presente? Esta é a parte mais interessante para mim, pois talvez para olhos menos atentos não há tantas semelhanças assim. Uma banda que contou com seis membros em sua formação (um teclado e uma guitarra a mais da formação do Led com quatro), um vocalista estridente, mas sem o alcance total de Robert, com leves trejeitos de mick Jagger, além de uma dobradinha de guitarras, coisa que o Led nunca teve. Concordo, porém, o som dos mestres do dirigível está lá, sem tirar nem pôr, nos riffs, no clima blues rock com muito peso, na pegada setentista e por aí vai.

E o argumento final: quem fez um show na Grécia em 2000, que virou cd e dvd, com nada mais, nada menos que Mr. James Patrick Page, reproduzindo os maiores clássicos dos ditos cujos? Ponto final, 7 a 1 pra mim!

E por que Amorica? Porque eu gosto desse disco e a arte da capa é polêmica (coloquei a foto de uma versão minimalista, mais light, julguem-me).


Foi, mas já? Calma lá, Gone chegou, mas ainda não foi. Umas batidinhas leves de colher no copo, ditam o ritmo da guitarra abafada que puxa o trem. Não temos um retorno aos anos 70 à Zeppelin, porém toda a pasta base que criou o Led, dá o tom nesta música. Microfonias, guitarras sujas, solos de veia blueseira e muita gritaria de Chris Robinson. Tem até piano de criança. E sem trocadilhos, “foi” tudo isso aí mesmo. Uma porrada!

Em flagrante ação conspiratória com o Belzebu, em alguma encruzilhada empoeirada, A Conspiracy monta sua armadilha. É cheia de swing, com muito pedal Wah Wah, saindo da nebulosa Inglaterra e indo direto a Seattle, ao covil do saudoso mestre das seis cordas, Jimi para os íntimos. Mas como o título anuncia, não passa de uma tramoia, e o refrão taca o Led na tua cara, te dando um belo traumatismo craniano. O riff do refrão e o mini solo do fim são Jimmy (não vai se confundir com os Ji(mi)mmy(s) aí não hein?) em essência.

Num suave tom de galhofa High Head Blues começa, com uns reco recos de pia de área de serviço, um riff de poucas notas e um clima de fim de tarde ensolarado. Ai a porrada chega no refrão, com direito a Hammond, E7/9+ (busque conhecimento) e batata frita em óleo vagabundo acompanhando. Chris Robinson não é o Plant de verdade, mas tem toda marra de cantor branco de blues de seu antecessor. Um solinho vulgar (no bom sentido) à Page no fim, dá tons finais. Pois bem, apertaram a bagana durante toda a música, acenderam e puxaram só para deixar a “cabeça lá no alto”. Menção honrosa ao clipe que eu adorava assistir na MTV, viagem pura!



Cursed Diamonds é a primeira balada do disco e nos transporta diretamente a outro petardo Zeppeliniano: Ten Years Gone. Acordes molengas em uma guitarra limpa e algumas notas de piano acompanhando, aram a terra para o que vem pela frente. Eis que tudo explode e a fórmula de sucesso está toda lá, um puta riff pesado, a voz estridente e blues de Chris e um delicioso e cortante slide de guitarra que tira um teco de nossos corações. Aquela tensão e calmaria que só o Led propicia está ai jovens!


Non-fiction é uma de minhas favoritas do disco. Não sei pontuar diretamente por quê, porém Black Crowes sempre me dá a impressão de ser a junção de duas bandas que simplesmente amo: Led Zeppelin e Allman Brothers Band. O clima de blues sulista está sempre lá, com um pezinho no country, meio dançante e um galho de trigo no canto da boca. Ambas as bandas foram mestres em criar este clima, mesmo uma sendo de origem britânica. Escute a música Midnight Rider do Allman Brothers e prove que isto tudo não é uma ficção. Mais uma balada perfeita para se deleitar em um dia tranquilo, aumentando o som e cantando alto o refrão.

Hammondzinho de leve, só para clarear as ideias. Ai a guitarra vem e estraga tudo. She Gave Good Sunflower traz um pouco de peso de novo e te faz balançar a cabeça em uma leve convulsão de sentimentos. Mais setentista impossível, principalmente no belo solo de guitarra, cheio de wah-wah (de novo? Vai gostar assim lá na pqp). Faça um esforço e repare na base cheia de tensão que faz o pano de fundo para os dois solos. É possível ouvi-la melhor após um breve silêncio, acompanhada posteriormente pelos votos de amor de Chris. É um dos contrapontos mais interessantes do disco, mostrando que não é só uma banda de inspiração e aspiração setentista.   

Agora é bluesão nos moldes de Muddy Waters na tua cara, guenta ai! P. 25 London traz aquela gaita estridente dos mestres clássicos do blues, dos mestres clássicos do Led, isso aí é mais clássico que Mozart, rapá!!! Atente para a guitarra slide em clara fusão com a gaita, detonando nossas mentes. E dá-lhe solo. Acho que os irmãos Robinson se odeiam, pois não foram capazes de tolerar seus gigantescos talentos. Infelizmente essa é uma das grandes mazelas da música. Egos!!!

Faz-se necessário, a esta altura do campeonato, uma balada que nos represente. Ballad In Urgency veio suprir esta lacuna. E para resolver tal problema trouxeram o conhecimento adquirido desde Beatles: guitarra trastejando com cara de cítara, bons refrãos e um inquestionável solo de guitarra. Para concluir, passarinhos, piano, baixo fretless (me corrijam, mas parece baixo sem traste) preparando o prelúdio do que vem a seguir...

... os tempos de sabedoria chegaram para deduzir nossos espíritos. Wiser Time é o ponto alto do disco senhores, como um corredor ultrapassando os retardatários, nada irá alcança-lo. Lembro-me a primeira vez que a ouvi, parei tudo que estava fazendo, pois, o céu é aqui mesmo na terra. É o tipo de música para ouvir viajando, viajando de carro, de avião, na sua mente, em qualquer lugar. Tem blues, tem letra bonita, tem solo de guitarra, de piano, de lap guitar, de violão blues (caixa acústica de metal). Tudo o que você precisa tá ai, nem precisa sair de casa para comprar arroz e feijão.




Uma pequena digressão. Black Crowes, assim como o Led, nunca se furtou a recriar o blues em seu mundo musical, e, este, talvez seja o maior elo que os une. São bandas de blues que quiseram fazer mais e esbarraram no rock. Downtown Money Waster é a prova irrefutável disto. Você enxerga tudo:  slide de pacto com o demônio, a musicalidade do delta blues e Chris buscando incessantemente a blue note.

Mais uma ótima balada pela frente, Descending, tão boa quanto as feitas pelo Led. Tudo o que já foi falado anteriormente aparece aqui, slide em violão - os caras gostam muito de slide, e quem não gosta? – um ótimo refrão e um piano suave e limpo que finaliza os trabalhos. Em via de regra, o disco acaba aqui, porém, a versão analisada aqui, (UK 1998 Reissue) ainda tem mais duas músicas!

Song Of The Flesh começa absurdamente estranha, com uma base de teclado que parece fora de contexto e uma gaita nada a ver (para dizer no mínimo) dando a impressão que começou errado. Quando o blues volta, tudo entra nos eixos, como um trem voltando a terra natal. Cara, e dá-lhe slide, mas a gente não enjoa!!!

E por fim, mas não menos importante, temos nosso momento Bron-Yr-Aur na prolixa Sunday Night Butterfly Waltz. Um belo instrumental, contando somente com um violão, carregado do sentimentalismo folk de outrora. Sinceramente, gosto do jeito que o disco acaba neste release, mesmo sabendo que talvez a concepção inicial do álbum não contemplava esta música.

Black Crowes é isto, uma banda de rock, despudorada em soar blues, com talentosos músicos totalmente influenciados por grandes bandas dos anos 70, em especial o Led, que contava com uma energia frenética em suas apresentações ao vivo. Destaco que apesar de beber do cálice abençoado do dirigível de chumbo, ela sempre teve vontade própria e personalidade. Já não posso dizer o mesmo dos “xovens” que vem a seguir.

To Be Continued, Again...

Grande Abraço!

**Editado em 08/06/2018

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Led III – Uma análise tripla de passado, presente e futuro


Bem-vindos, novamente, promíscuos concubinos do rock!

Este blog sofreu um grande hiato, devido a fatores externos e que envolvem forças maiores, porém não devem ocupar sequer meia palavra neste espaço. Eu e o Betão prometemos entreter novamente os amantes do rock com mais posts sobre este estilo tão amado. Sem mais delongas vamos ao que importa.

“Porra Leandro, você não posta nada há anos, e vai voltar para falar de Led? Cadê a proposta de Blog descolado, metido a alternativo? Toma vergonha nessa cara!” Calma lá! Primeiro que Led sempre gera assunto (fale bem ou mal de mim, mas fale) e gerará assunto para sempre. Segundo que estes quatros ingleses criaram um aparato musical que será copiado, imitado, sampleado e reverenciado perante toda a eternidade, passando pela guitarra suja de Jimmy, pela voz rasgada e estridente de Robert, pela sensibilidade e virtuosismo de John no baixo, bandolim etc., e por fim, mas não menos importante, a porrada absurda na bateria do outro John. Claro que ainda falta citar todos os trejeitos e cacoetes que tinham em cima de um palco, criando moda e tendência. E já vou avisando que este blog, em toda a sua proposta de catarse, não passará pano algum para estes senhores, que apesar de serem uma sumidade em termos de criatividade, tem a carreira marcada por diversas acusações de plágios, algumas infundadas e outras totalmente descaradas.

E qual a motivação desta análise? V.Ex.ª Alberto Costa, Betão para os íntimos, veio de sobressalto, em uma conversa descontraída de Zap, denunciar os absurdos cometidos por uma banda composta por quatro fedelhos de Michigan, EUA. “Quem são os caras?” perguntei eu. “Greta Van Fleet, já ouviu falar?”. Talvez por mera coincidência do destino havia lido uma matéria na internet sobre os ditos cujos, falando sobre a participação deles no Oscar, tocando com o vulgar Elton John (ironia detected). “E qual é a deles Albertones?” novamente indaguei. “É Led, saporra”. Não sei se certamente com estas palavras, mas o conceito é este. Pois bem, como sou um maníaco obsessivo por conhecer a fundo a história das bandas que aprecio, fui atrás como um viciado no auge da abstinência. Ouvi tudo que tinha de gravações de estúdio no youtube, vi boa parte dos shows disponíveis e, finalmente, dei-me conta de algo muito importante. Nós, roqueiros, sujos e morféticos, estamos extremamente carentes de um novo Led! 

Vivemos um momento da mais pura bunda molice no cenário mundial de rock, com falta de vontade, criatividade e uma inércia que parece não ter fim. Meu objetivo aqui não é denunciar outros estilos, respeito todos, de coração, pois a vida me ensinou a ser menos xiita e elitista com relação à música. O que me entristece é ver que o rock não produziu mais nada de relevante nos últimos anos, apesar de ter muita gente fazendo coisas legais, autorais, diferentes e artísticas, que vai de figurões do rock à bandas experienciando as margens do mainstream. A grosso modo, tá faltando novos movimentos como: grunge, punk, progressivo, alternativo, heavy metal entre outros.

“Voltou com tudo hein? Tá viajando na maionese!” Querido leitor, espero ao final deste post concluir com sucesso minha linha de raciocínio. Vá se preparando para o pior!

Por fim, se você acompanha o Blog, já deve ter notado que Led moldou meu caráter musical, e o de grandes músicos famosos pelo mundo, e, por este motivo, é a banda que pode ser usada como referência para qualquer outra que se aventure por aí. Não é raro ouvir “nossa, esta banda é o novo Led” ou “esta banda é o Led dos anos 90”. Estas frases podem ser replicadas também para Sabbath, Beatles, Floyd etc.

Em suma, Led é foda, amamos mais que x-bacon e estamos muito frustrados por nada tão bom surgir. Sendo assim, minha proposta é: traçar uma linha do tempo do Led, apresentando passado, presente e futuro, representados pelos discos, Led Zeppelin III (do próprio), Amorica (The Black Crowes) e From The Fires (Greta Van Fleet) em 3 posts distintos (ficou grande pra kct, era tudo um post só, então eu quebrei). Explico as escolhas posteriormente, confiem em mim. Vamos lá!

Led Zeppelin – Led Zeppelin III


O Led é o passado por razões óbvias, né, nem precisa explicar? Olha as caras de tiozões do rock ai! (O Robert ta parecendo a mistura do Oswaldo Montenegro com a Vanderléia)


Escolhi Led Zeppelin III para este post pois acredito que o disco seja o ápice da maturidade musical da banda, sem menosprezar, obviamente, os dois anteriores. Toda aquela fúria verificada no primeiro álbum, foi se dissipando, atenuando e o caminho a ser seguido ficou límpido e claro, com a banda finalmente alcançando o paroxismo da mescla “chumbo que flutua”. A escolha desta magnífica obra de arte embasará os comentários sobre o presente e futuro também.

Como uma fita rebobinando, sem precisar de caneta bic, a horda provinda de valhalla - o olimpo dos deuses nórdicos - traz o martelo voraz de Thor e cia, que açoita a carne da incauta humanidade. “Valhalla, I am cominggggg”. É isto senhores, aqui está Immigrant Song, uma das músicas mais barra pesada já feitas, com um riff absurdamente simples, em contraste ao gelo e o sol da meia-noite. Robert grita a plenos pulmões, estridentemente, rogando uma praga pestilenta sobre os ouvintes. Posso dizer sem medo da leviandade, que esta música me fez arder em paixão por Led. A despretensão total em não soar como um clássico, a torna épica. Afaste os móveis e tente não se jogar na parede enquanto escuta, ela passa rápido e não vale a pena morrer por ela (será?).


O próximo petardo já foi falado aqui no Blog, no post sobre o disco No Quarter, da duplinha carimbada Page & Plant. Friends perdura a despretensão da música anterior, porém é rica em detalhes. Um violão de afinação aberta, um Robert agudo de quebrar taça, sintetizadores, vozes não identificadas ao fundo, um vento que traz o gosto salgado das areias do longínquo deserto babilônico. Kashmir só veio no sexto disco da banda, e Friends, com certeza é o prelúdio. Possui um fim espacial que culminou em celebração. Celebration Day é o sarau de comemoração aos anos 70. Vamos cantas, dançar e curtir isso tudo. Começa como um country sulista, cheio de subversão blueseira, que te contagia. Mr. Page não poupou crueldade nas guitarras e é o grande destaque da música. Mr. Plant continua com sua voz irritantemente saborosa. Mas a cozinha está lá, John², mexendo essa panela com força, para não queimar no fundo. Ficou felizinho? Se prepare para o pior então.

Since I’ve Been Loving You é a melancolia em sua maioridade cívica. Pode ser só uma música de amor, porém atravessa o peito e te sufoca em lágrimas. Esta paixão hipócrita sai fervorosamente do coração e atinge em cheio as cordas da guitarra. No trecho em que Plant bate em nossa porta, denunciando a perfídia, a música explode em magnificência. Destaque para a frieza e precisão de Bonzo em agredir a bateria, como se estivesse fazendo ao amásio. Seria mentira dizer que esta é minha versão favorita desta música, principalmente para quem acompanha o Blog e já leu isto aqui, porém continua sendo meu ponto alto do disco.

A celebração volta em Out On The Tiles e a porrada come solta. Creio que esta música é o divisor de águas do disco, trazendo todo o peso visceral do Led, seja nos grandes riff de guitarra, na bela vocalização e na consistência baixo e bateria. O que vemos a seguir é uma mudança de andamento mais amena, em que o dirigível começa a revoar por terras mais “folk”. Aguente firme, pois Gallows Pole chegou para nos salvar, com uma bela pitada acústica, com um bom punhado de influência norte americana, ou seja, uma já conhecida receita de sucesso.

E o acústico continua e o country também em Tangerine, a primeira baladinha do disco, recheada de simples acordes em um belo violão 12 cordas - é tipo uma viola, só que a viola tem 10 cordas, porque gringo faz tudo melhor #ironiaagain. É uma melodia doce como uma mexerica mesmo, e inocente como uma paixão de adolescente.

A partir da metade o disco assume esta toada acústica e vai até o fim, e é assim que tem que ser: That´s The Way. John Paul Jones nos brinda novamente com um tímido bandolim, que propicia o clima dos fados lusitanos, já abordados em outro post sobre o Led. E ainda tem uma guitarrinha de colo, que acende um incenso floral ao fundo para transcendência espiritual.


Agora o momento mais polêmico do disco, pois aqui temos dois plágios, Bron-Y-Aur Stomp e Hats Off To (Roy) Harper. Pelo menos é o que nosso colega de longa data, google, nos diz. A primeira está na lista dos plágios de Jimmy a Bert Jansch (se você curte música folk da Escócia, Irlanda e agregados, PROCURE MAIS SOBRE ESSE CARA!!!!!!!!!!!!!!!!!!) e a segunda é mais um blues orgânico dos anos 20, talvez perdido em sua real autoria, que os caras do Led foram lá e kibaram. Plágio ou não, são músicas excepcionais, que exalam o fresco e fétido odor dos mangues formados no rio Mississipi, desaguando na terra do Jazz, New Orleans. Toda essa carga emocional está lá, seja no bumbo exagerado de Bonham, ou no slide ansioso de Page. Vale destacar que o disco termina onde o Led começou, no diabólico delta blues!

E aqui terminamos o passado, a fundição que concretou o rock de várias maneiras. Vários cantores apareceram depois cantando agudo de estourar taça, centenas de guitarristas colocaram a guitarra no joelho enquanto fumavam (tá bom, Keith Richards é o pioneiro), um monte de baixista que toca piano (Geddy Lee?) e por fim, mas novamente não menos importante, trocentos bateristas tomaram coragem e fizeram solos de 40 minutos.

To Be Continued...

Grande Abraço!

quinta-feira, 22 de março de 2018

BELOW THE WASTE - ART OF NOISE






Dou início a este texto me desculpando com aqueles que curtem um rock mais tradicional. E faço isso por conta do tema de hoje, o álbum "Below The Waste" do grupo britânico "Art Of Noise".

Para aqueles que não sabem, um dia eu já tive um programa de rádio, que se chamava Star Trips e ia ao ar todos os domingos na antiga FM comunitária Star Sul (na região do bairro Vila Santa Catarina, na cidade de São Paulo). E neste programa, o meu intuito era tocar o rock de todos os tempos, estilos e tendências... Certamente, o melhor do rock nacional e internacional passou pela programação musical do Star Trips.

E um dos quadros do programa era aquele que eu costumava chamar de "Fronteiras do Rock", onde eu abordava coisas inusitadas relativas ao mundo do rock. Era um segmento do Star Trips no qual eu mostrava aos ouvintes que música não tem limites e fronteiras e que, muitas vezes, misturas musicais das mais inusitadas davam resultados extraordinários.

E neste sentido, levei ao ar muita coisa diferente em termos de viagens musicais com viés rockeiro, tais quais o rock do Led Zeppelin sendo performado pela Orquestra Sinfônica de Londres (um projeto musical do músico britânico Jazz Colleman); a música do grupo alemão Van Canto (um sensacional grupo musical vocal, o qual faz o som dos principais instrumentos apenas com a voz e com a ajuda de pedais); projetos musicais nacionais tais quais Língua de Trapo, Premeditando Breque e Arrigo Barnabé; Giberto Gil cantando um rock swingado fenomenal; o projeto musical Moda de Rock (dos músicos e violeiros Ricardo Vignini e Zé Helder); a musica viajante do Dead Can Dance; o post punk igualmente viajante do Cocteau Twins... E muito mais...

E a música do Art Of Noise fez parte do Star Trips através de diversas incursões na programação musical que eu elaborava. 

Por essas e por outras razões é que estou abordando neste canal cultural a "arte" musical deste sensacional projeto ART OF NOISE... E mais especificamente, o quarto álbum "Below The Waste", trabalho musical pelo qual alimento bastante admiração e carinho. Abaixo, temos a contracapa do disco (na versão em vinil).





ART OF NOISE - UM BREVE RELATO

Cabe aqui contextualizar este projeto musical através, inicialmente, de um breve relato sobre a história do grupo e de seus idealizadores.

O Art Of Noise, em termos de classificação musical, pode ser considerado como um grupo a ser enquadrado na categoria "avant-garde synth-pop". Mas há aqueles que classifiquem sua música apenas como "eletrônica", o que eu, de forma alguma, concordo. Na minha opinião, a música produzida pelo grupo é muito mais profunda do que isso, passando inclusive por momentos que podem até ser classificados como música clássica, jazz moderno, jazz rock ou tantos outros estilos e sub-classificações que surgem aqui e ali dentro das canções. Certamente que o termo "eletrônico" se encaixa no contexto, mas reduzir a música do grupo simplesmente a isso não me soa justo. 

O grupo(1) iniciou suas atividades em Londres, no ano de 1983, e foi formado originalmente por um conjunto bastante heterogêneo e inusitado de pessoas do meio musical britânico, a saber, o músico e produtor Trevor Horn, o músico e programador musical J.J. Jeczalik, o engenheiro de som e produtor musical Gary Langan, a compositora, tecladista e maestrina Anne Dudley e o jornalista musical Paul Morley.

Esta formação é a que predomina durante todo o período de atividade do Art Of Noise. O grupo manteve-se bastante ativo durante o período de 1983 até o ano 2000; depois disso reuniu-se apenas em algumas apresentações esporádicas; mas ainda considera-se que é um projeto musical em atividade. Entretanto, houve certa alternância de membros em diversos períodos, sendo que Anne Dudley foi a única integrante que participou de todas as fases do Art Of Noise.

Entre o período 1998-2000, o músico e guitarrista britânico Lol Creme também fez parte do grupo, sendo esta a única fase que não contou com J.J. Jeczalik.


  1. Notem que em todos os momentos eu me refiro ao Art Of Noise como um "grupo" musical; isto é um critério pessoal meu, pois não os enxergo meramente como uma banda, na medida em que eles não tem uma formação clássica com músicos que tocam guitarra, bateria, baixo, teclados e/ou outros instrumentos. Na minha visão, trata-se muito mais de um projeto musical, algo especial e fora do padrão, razão pela qual não consigo enquadrá-los como uma banda. Isto ficará mais claro no decorrer do texto.



Sempre que falo aos amigos sobre o Art Of Noise, via de regra, quase ninguém conhece. E se já ouviram falar ou mesmo ouviram algumas de suas músicas, estas são certamente a versão deles para "Kiss" (do cantor e compositor Prince), a qual conta com a participação do famoso cantor galês Tom Jones; e outra das músicas mais conhecidas do grupo é a instrumental "Peter Gunn" (composta originalmente pelo músico americano Henry Mancini), a qual lhes rendeu uma premiação no Grammy Award em 1986.


UM POUCO MAIS SOBRE A MÚSICA

Uma das principais características da música produzida pelo Art Of Noise é o uso bastante intenso de "samplers". Além disso, podemos dizer que grande parte das músicas são "colagens musicais", via de regra instrumentais, as quais mostram aos ouvintes passagens sonoras, em alguns casos, bastante díspares, com uma constante alternância melódica e sonora. E isto, certamente, causa bastante estranhamento nas primeiras audições.

Entretanto, é justamente esta alternância melódica e de sons que costuma atrair os fãs, principalmente os mais afeitos à música eletrônica e tecnológica.

Podemos dizer que, em termos tecnológicos, o Art Of Noise é um dos pioneiros em seu estilo, na medida em que Trevor Horn foi uma das primeiras pessoas a adquirir o "Fairlight CMI (Computer Musical Instrument)", uma das primeiras estações de áudio digitais associadas à sintetizadores de som e samplers que foram concebidas mundialmente (equipamentos originários de uma empresa australiana).

Os primeiros trabalhos do grupo foram classificados como "techno-pop" ou ainda "experimental rock".

Além das colagens sonoras, muitos outros elementos foram utilizados nas produções, tais quais vozes de pessoas notórias e trechos modificados de músicas famosas ou temas de filmes.

Outra característica bem forte que podemos sentir ao ouvir as canções é a alternância de melodias ora extremamente dançantes (recheadas de batidas fortes e muito cadenciadas) com outras mais suaves e contemplativas, tudo dentro de uma mesma faixa musical.


BELOW THE WASTE... FINALMENTE

Cheguei finalmente ao objeto da resenha.

Como dito mais acima, o álbum Below The Waste é o quarto trabalho lançado pelo Art Of Noise, sendo que o mesmo foi produzido, gravado e lançado entre 1988 e 1989.

Trata-se de um trabalho que não teve uma grande repercussão entre crítica e público. E talvez isto tenha acontecido por uma certa mudança de rumos em relação aos três trabalhos anteriores.

Na medida em que Anne Dudley e J.J. Jeczalik contaram com a participação do grupo musical sul-africano "Mahlathini and the Mahotella Queens", os quais aparecem em 3 das 12 músicas do disco, o trabalho como um todo acabou sendo considerado por alguns como "world music".

Certamente, o álbum tem algumas canções bem na linha "world music", entretanto eu não o classifico desta forma. Continuo a classificar a música constante deste álbum como "avant-garde synth-pop", uma vez que, o álbum como um todo está recheado de elementos musicais eletrônicos e samples bastante característicos da linha musical que o grupo aborda.

Todavia, concordo com a crítica no sentido de que houve mudanças significativas em relação aos trabalhos anteriores.

Acontece, porém, que tais mudanças de rumo, na minha avaliação, elevou a qualidade musical do Art Of Noise. As canções ficaram mais sofisticadas, mais melodiosas, mais ricas em termos de misturas de ritmos diversos.

Neste trabalho, o Art Of Noise contou apenas com Anne Dudley e J.J. Jeczalik (também assina a produção Ted Hayton).

Coube a Anne Dudley as abordagens musicais mais melodiosas e orquestrais; já J.J. Jeczalik certamente imprimiu um ritmo mais forte e mais dançante ao trabalho, concentrando esforços em colagens e passagens musicais repletas de batidas vigorosas e elementos musicais "funkeados" e também algumas doses de rock n'roll.

Falando agora sobre as canções, esta resenha contempla, na verdade, a versão de Below The Waste lançada originalmente em vinil, a qual tem algumas diferenças em relação a outras edições do disco.

Finalizo esta descrição geral do álbum destacando um detalhe bastante interessante aos amantes de equipamentos de som de alta fidelidade. A capa do disco conta a foto de um par de caixas acústicas estilizadas, fabricadas por uma das mais notórias marcas de equipamentos audiofônicos, a britânica "Bowers & Wilkins" ou simplesmente "B&W". Isto é apenas mais um indicativo de que estamos tratando de um grupo musical diferenciado, que pensa nos mínimos detalhes quando o assunto é a produção de um trabalho musical.


AS MÚSICAS


YEBO!


Canção com fortes elementos da música africana, YEBO! é uma das músicas que conta com o grupo musical "Mahlathini and the Mahotella Queens", o qual alia seu som repleto de arranjos vocais e batidas tribais ao som eletrônico do Art Of Noise. Há ainda algumas passagens musicais que contam com excelentes arranjos e riffs de guitarra, imprimindo uma pegada jazz rock bem interessante.


CATWALK

Excelente canção, repleta de swing e grooves. Lembrou-me os bons tempos da dance e funk music do finalzinho dos anos 1970. Música legal para você colocar no começo da festa; certamente vai fazer a galera se mexer e se intrigar com os diversos elementos sonoros que a tornam misteriosa e sofisticada.


PROMENADE 1

Interlúdio de pouco mais de 30 segundos que contrapõe totalmente a proposta musical da duas primeiras canções; melodiosa ao extremo, a música conta com arranjos orquestrais divinos, porém, tristonhos. Lembra um filme triste.


DILEMMA

Esta é uma das músicas do álbum que mais se enquadram na proposta original do Art Of Noise. Uma sequencia de batidas cadenciadas mescladas por samples de todos os tipos (vozes humanas que cantarolam melodias disformes, relincho de cavalos, cantos gregorianos, gritos e mais um sem número de sons). Tenho para mim que a grande maioria das pessoas vai pular esta música.


ISLAND

Peça musical de quase 6 minutos, Island é um primor de música. Melodia repleta de elementos orquestrais e piano, entremeada por uma batida suave e cativante, a musica certamente leva o ouvinte até uma ilha paradisíaca. No finalzinho da música entram em cena os clarinetes, conferindo à canção um ar clássico estupendo.


DAN DARE

Abrindo o lado B do disco, Dan Dare é mais uma das canções climáticas e enigmáticas do álbum. Porém, esta música equilibra bem os elementos mais melodiosos e orquestrais com batidas e levadas mais dançantes. Outro som que nos propicia momentos bem viajantes.


CHAIN GANG

Mais uma das canções que conta com os sul-africanos do "Mahlathini and the Mahotella Queens". A música começa com vozes femininas entoando um canto africano; logo em seguida entra em cena uma melodia permeada por uma batida em segundo plano, a qual funciona mais ou menos como um mantra percussivo, imutável nos primeiros minutos. Aos poucos a música vai crescendo em termos de vozes, elementos sonoros e instrumentais, até desembocar num arranjo "funkeado" e com riffs de guitarra bastante instigantes e dançantes.


PROMENADE 2

Mais 38 segundos de um lindo interlúdio. Momento para respirar fundo e se preparar para a parte final da viagem, a qual conta ainda com quatro cativantes etapas.


BACK TO BACK

Melodia extremamente cativante, aliando elementos melodiosos e levadas levemente dançantes. Guitarra e batidas proeminentes, esta é sem dúvida a música mais rock n'roll do disco.


FLASHBACK

Música de batida e levada fortemente jazzística, modernosa. Curtinha, com apenas 1 minuto e 45 segundos, quando você começa a gostar ela acaba... uma pena!


SPIT

Esta é a terceira canção do disco que conta com a participação do grupo musical sul-africano. Uma delícia de música. Acho que, dentre aquelas mais dançantes, esta é a que eu mais gostei. Além disso, o trabalho vocal é maravilhoso.


FINALE

Uma verdadeira peça clássica, nesta canção Anne Dudley nos envolve por completo com suas passagens musicais extremamente melodiosas. Trata-se de uma música criada por alguém que certamente tem uma sensibilidade musical das mais nobres. E fecha o disco nos deixando sem chão. Toda vez que a escuto, preciso ficar alguns segundos em silêncio para me recompor.



CONCLUSÃO

Finalizo esta resenha na certeza de que passei a minha mais sincera opinião sobre o ART OF NOISE e sobre esta maravilhosa obra musical contemporânea.

Espero, com este texto, sensibilizar a todos os leitores, de forma que o mesmo os façam querer ouvir o disco. E mais, espero que todos sintam a beleza e a força das canções.

Uma dica:

Numa primeira audição, recomendo estar só, num ambiente agradável, se possível na meia luz, saboreando um bom vinho. 

Um forte abraço e até a próxima.

Betão Star Trips

sábado, 10 de março de 2018

Acid Tree - Uma abordagem musical recheada de mistérios

ACID TREE



Salve Galera do Rock!

Estou de volta aqui neste canal de divulgação de rock tão especial. E neste retorno escolhi um trabalho muito especial, de uma banda brasileira, a qual faz uma música misteriosa e enigmática, recheada de elementos filosóficos e introspectivos.

Estou falando do ACID TREE, power trio paulistano composto por Ed Marsen (vocal e guitarra), Ivo Fantini (baixo) e Giorgio Karatchuk (bateria).

Vou iniciar a minha abordagem tratando dos aspectos musicais do grupo, pois estamos falando de músicos que mostram muita habilidade técnica e competência; em todos os sentidos. Tanto na performance ao tocar, quanto nas composições (e neste quesito, mais uma vez os caras são muito bons) as canções são bastante impactantes; sons atmosféricos, densos, intrincados, com fortes mudanças de andamento (às vezes se tornado um som bem pesado).

No quesito letras, eles viajam nessa mesma linha, ou seja, temas bem introspectivos e enigmáticos, os quais sugerem viagens em ambientes mágicos e sombrios; eu diria que eles exploram muito bem o lirismo poético nas canções e isso, por certo, sensibiliza muito o ouvinte.

Bom meus caros leitores, pelo o que eu pude apurar, eles já estão juntos desde 2013 (mas há registros na internet de que já em 2012 alguns dos membros do grupo estavam atuando de alguma forma). De concreto, conversei com Ed Marsen e ele registra como certo o ano de 2013. Enfim, para mim pouco importa se foi 2012 ou 2013. O primordial mesmo é que desde esta época eles têm trabalhado duro e com muita paciência no sentido de desenvolver a sonoridade da banda de uma forma muito especial. E todo este árduo trabalho e perseverança começou a dar frutos mais consistentes no ano de 2016 e mais ainda em 2017.

Foi no ano passado que eles resolveram efetivamente lançar o primeiro trabalho de estúdio (o álbum ARKAN), uma compilação musical que conta com 6 excelentes canções.

E pelo o que eu li num dos tantos registros que constam da internet, eles já tinham gravado estas músicas anteriormente, mas somente resolveram partir para a "prensagem" do disco no ano passado, justamente depois de consolidarem bem o trabalho junto ao público.

E neste sentido, eles mostram um profissionalismo bastante grande e demonstram na prática que o sucesso é algo que não surge assim do dia para a  noite; tem que trabalhar muito; ter perseverança; planejamento; estudar bem cada passo a ser dado. Por tudo isso, mesmo sendo uma banda de músicos jovens, eu diria que o grupo demonstra extrema maturidade, em todos os sentidos, mas principalmente em termos musicais.

E o sucesso começou a se materializar através de veiculações das músicas da banda na Kiss FM, por intermédio do Walter Ricci (locutor da rádio), o qual tem inserido músicas do Acid Tree em sua brilhante programação musical. 

Mas 2017 tornou-se um ano mais do que especial para o Acid Tree não apenas pela aparição da banda no rádio. 

O ponto alto se deu com a participação do grupo na "REBIRTH OF SHADOWS TOUR" de Edu Falaschi, onde o Acid Tree abriu todos os shows desta turnê, a qual passou por diversas cidades do território brasileiro. 

A tour terminou em São Paulo, no dia 21 de janeiro de 2018, em show que rolou no Carioca Club e que teve a participação especial de Kai Hansen (Helloween e Gamma Ray, entre outros). Ou seja, imaginem a abertura de portas que uma turnê desta monta não representa para um grupo de jovens músicos que está nos primórdios se sua carreira... deve ter sido sensacional!

Com relação aos planos da banda, muito trabalho já está sendo feito, na medida em que eles estão trabalhando num novo disco. E tais planos são realmente bem ambiciosos, pois eles querem produzir este novo disco todo na Suécia.

A intenção é gravar o disco no Fascination Street Studio, que é de propriedade de Jens Brogen, um dos grandes produtores musicais da atualidade (pelo o que eu me lembro, foi esse cara que produziu vários discos do Opeth). No caso, o produtor com o qual eles querem trabalhar é o David Castilho.

Falando agora em termos de sonoridade e estilo, o som do Acid Tree vai muito na linha de bandas como Opeth e Porcupine Tree, onde a banda trabalha com canções extremamente melodiosas, mas que aliam viagem e peso com bastante intensidade. 


ÁLBUM ARKAN



Com relação ao álbum Arkan, como já mencionado, se trata de um trabalho que conta com seis canções muito bem elaboradas e performadas, as quais resumem tudo o que foi dito acima.

O disco começa com a canção que o nomeia, ou seja, Arkan. Música que tem em seu bojo uma mistura muito bem equilibrada em termos de peso e viagem melódica; a canção literalmente nos leva por caminhos fantásticos e enigmáticos. Em termos dos elementos sonoros, guitarra, baixo e bateria vão se intercalando e se misturando a todo momento, sempre com a voz clara, limpa e afinada de Ed Marsen indicando a trilha a ser seguida. Não dá para dizer que há a predominância de um dos instrumentos em detrimento de outros. Neste ponto, podemos dizer, mais uma vez, que há um equilíbrio muito interessante nesta música.

Same Face vem na sequência, e se desdobra musicalmente mais ou menos na mesma levada da canção anterior. Ou seja, continuamos a viagem fantástica que o grupo nos propõe.

A terceira etapa da viagem é tão alucinante e intrincada quanto as duas primeiras. Estou falando da música Righteous Violence, canção de melodia suave e com intensidade crescente. Esta me remeteu diretamente à música de uma banda da qual sou muito fã... Violeta de Outono, grupo musical capitaneado pelo músico paulistano Fábio Golfetti e que fez relativo sucesso a partir de meados dos anos 1980, fazendo um rock psicodélico bastante cativante. Se você não conhece a música do Violeta de Outono, vá atrás, pois trata-se de coisa fina.

Milestones, a quarta música, é uma pequena joia encrustada no meio do disco. Com apenas 1 minuto e 54 segundos de duração, a canção (toda instrumental) nos propicia momentos de serenidade e contemplação muito ímpares. Viagem curta, porém intensa.

Quinta faixa... a coisa fica séria... acordes tristonhos e lânguidos de guitarra, seguidos de batidas rápidas... o vocal num tom igualmente tristonho... tudo revelando segredos de uma vida que talvez esteja próxima do fim... será? 

Adrift é o nome da canção que me trouxe estas impressões. Mais para o final da música, o solo de guitarra acaba por realçar o ar triste intrínseco durante toda a melodia da canção, a qual, logo em seguida, termina de forma tão fortemente angustiante quanto seu início. 

Ao ler estas palavras, talvez o leitor tenha a impressão de que eu não gostei da música. Nada disso! Melodias e letras tristes não indicam que a música seja ruim, muito pelo contrário. Entretanto, não recomendo que a ouça se você estiver num momento ruim de seu dia.

Chegamos por fim ao trecho final e mais longo da nossa viagem musical, a canção Caged Sun. Esta, sem nenhuma sombra de dúvidas, é aquela que carrega as maiores influências dos suecos do Opeth. 

A canção tem exatos onze minutos e diversas inversões de andamento. As levadas são fortes, porém com peso moderado. Mas no geral, as melodias são bastante densas e igualmente intrincadas.

Algo importante a ser reparado por volta dos primeiros 55 segundos de execução da música são os acordes muito parecidos com o trecho inicial da canção "The Devil's Orchard", a qual figura no álbum "Heritage" (10º álbum de estúdio do Opeth). Talvez uma homenagem à banda.

Observação: depois que escrevi o parágrafo acima, troquei umas ideias com o Ed Marsen e ele me explicou que, na verdade, eles usam a mesma escala e não os acordes. De toda forma, este álbum teve muita influência do Opeth, registrou Ed.

Enfim, caríssimos amigos do rock, vou encerrando a resenha com a forte recomendação de audição da música do Acid Tree.

Eu, do meu lado, vou acompanhar o trabalho deles, sempre compartilhando com vocês as minhas impressões a respeito da evolução da banda.

Ah... quase que já ia me esquecendo... Recomendo que ouçam o podcast Drops Star Trips, edição de nº 29, o qual foi produzido por mim e divulgado no meu portal Star Trips.

Neste podcast, além de falar um pouco sobre o Acid Tree, no final da locução eu coloco três faixas do disco para que os ouvintes conheçam o trabalho do grupo. Vale a pena conferir.


Forte abraço a todos e até a próxima.

Betão


ESTAMOS DE VOLTA!!!


Salve galera do rock!!!

Ficamos um tempo fora do ar, mas agora estamos de volta... Eu e meu parceiro do rock, Leandro Cenati, estaremos a partir de agora voltando à carga com postagens sobre os grandes discos, as grandes bandas (antigas ou novas) e vários outros temas relativos ao mundo do bom e velho rock n'roll.

Aguardem!!!!

Forte abraço.

Betão 

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Opeth - Heritage

Bem vindos!

As londrinas tardes de maio da Paulicéia instigam-me a dissertar sobre bandas gélidas. Há tempos quero falar sobre esta maravilhosa banda, conterrânea de Ingmar Bergman, ABBA (eita?) e de uma infinidade de bandas de Black Metal. De alguma maneira o paganismo da mitologia nórdica inflou os corações dos habitantes destas planícies com satanismo, ódio e glórias, estas agora perdidas.





Por tanto, Opeth, natural de Estocolmo, é uma das referências do metal progressivo, elevando este vocábulo à sexta potência, pois inseriu o gutural em um contexto que só permitia sopranos (vide Dream Theater e seu James LaBrie). Realmente quando falamos de relevância vocal em música, o nome de Mikael Åkerfeldt (difícil de escrever hein) tem que ser citado, e ele poderia parar por ai, no entanto é o dono de todas as composições da banda e ainda arranja tempo para ser um fanfarrão nos palcos. Beleza, já inflamos bastante o ego dele, agora podemos prosseguir.

Para os fãs mais puristas este não é o melhor disco do grupo, é menos pesado e não tem os característicos vocais guturais. Em meu caso, foi a primeira obra completa que ouvi deles, transformando-me em fã absoluto, além de me levar a procura dos outros trabalhos, como o excelente Ghost Reveries de 2005, o meu favorito. Aceitei que gritaria em música pode ser muito legal. E lá vamos nós!



Segundo o próprio Åkerfeldt (viva o control + c, control + v) Heritage, que dá nome ao disco, é uma homenagem ao Jazz Sueco incutido no subconsciente da banda, uma linda e delicada música, harmoniosa por si só, não é rock, mas é de onde ele veio. O piano apresenta-se sozinho para nosso deleite.

E após o maravilhoso prólogo, enfim The Devil’s Orchard. O rock aparece diminuto, porém forte e magnificente. Elementos perdidos nos anos 70 estão de volta, teclados estilo Hammond, guitarras com distorções leves e bateria arrítmica. Mikael havia provado nos discos anteriores que é um mestre na criação de riff’s, e prossegue assim sendo. O trabalho nas baquetas é fora do comum, toda a música é pautada por elas, modulando os 3 momentos marcantes. Bandas que conseguem agir como uma coisa só são minhas favoritas.

I Feel The Dark remete-nos ao disco Damnation do grupo, que abdicou, em partes, das guitarras. O início é suave por demais, barroco, erudito e talvez Bachiano, Blackmore ficaria orgulhoso. Perceba o agradável timbre de voz de Mikael, aliado ao belo instrumental criado. Na metade da música surtos de Robert Frip e Cia alvejam a música, transformando-a imediatamente em um clássico setentista do King Crimson. John Wetton, Greg Lake e Bill Brufford ficariam felizes também. Se não sabe quem são eles, busque conhecimento.



Citamos Blackmore, dois parágrafos acima, certo? Olha ele ai outra vez em Slither! Esta é a versão Rainbow do mago das guitarras. Uma homenagem da banda a Ronnie James Dio e a uma das melhores épocas dele (se é que houve alguma ruim). Muitos acusam esta nobre melodia de estar fora do contexto do disco. Primeiro que o rock não é um quadrado no qual tudo tem que estar perfeitamente alinhado, segundo que canções fora de contexto só devem ser criticadas se forem realmente muito ruins. Diga-me se você não ficou com vontade de ouvir Long Live Rock ‘n Roll, ou Rising na íntegra depois dessa?
 
Nepenthe começa com uma brisa viajante, imagino-me numa praia deserta e nublada. O casamento poligâmico de baixo, guitarra e bateria, lembraram-me alguns discos de jazz que ouvi muito na minha adolescência, de Mike Stern a Jaco Pastorius. O que mais me fascina neste disco é a potência dos teclados, como faz falta a inserção dele decentemente nas músicas da atualidade, parece que todas as bandas o utilizam de forma equivocada. Observem que todos os solos de guitarra parecem friamente calculados.

Häxprocess prossegue a toada da anterior, aproveitando o ritmo suave que paira no ar. Martin Axenrot é o nome dele, o dono das baquetas e com alto nível de virtuosismo. Notem que ótimos arranjos e levadas, os pratos tocam na batida de seu coração, ou pelo menos ditam ela. Mikael arrisca riffs e notas sob a chancela de um violão de nylon. Viajem!

Famine começa estranha, uma flautinha aqui, uns tambores asiáticos acolá. O piano, jazz sueco, dúvida, Heritage, tudo retorna. Ouçamos Mikael acompanhar as notas com sua voz. Tomamos um rumo novamente, o grupo parece ter achado o caminho, eis que tudo desaba, e o King Crimson retorna. Muitas notas diminutas e demoníacas adentram o cenário. E nesta obsessão setentista, partem para o absurdo, fundir King Crimson com Jethro Tull. Dá certo e gera muita tensão no ar, quase arrancamos os braços da cadeira de tanto nervosismo, o coração bate mais lentamente...

The Lines In My Hand prova que o baixo também é muito foda, ditando todo o ritmo. As linhas nas mãos do hermano uruguaio Martín Méndez são o destaque, o resto são coadjuvantes. O violãozinho de Paco está no ar, mas o baixo é o baixo. Na parte final, a música fica mais Opeth velha guarda, mais porrada.

A intro de Folklore parece-me fruto de uma brincadeira descompromissada na guitarra, talvez um sacrilégio de minha parte. Na verdade, o álbum inteiro é uma brincadeira que foi longe demais. Você alguma vez imaginou músicos malvadões do gabarito do Opeth fabricando músicas como esta ou Nepenthe. Esta faixa é mais uma do hall das músicas silenciosas que já falei aqui no Blog, principalmente quando ouvimos um instrumento só e o silêncio que o acompanha nos contagia. Consigo elencar três momentos que se contrapõem, o silêncio, perseguido pela violência, e por fim, a progressão, dando um ar de elevação e evolução. E mais solos meticulosos de Åkerfeldt. Sim, é a música chave do disco!

E por fim, o encerramento dos trabalhos. Marrow Of The Earth é um momento intimista de Mikael, que multiplica sua criatividade nos arranjos, aliando guitarra e violão, alternando levadas e fraseados, riffs e muita intensidade. A banda prepara uma virada de mesa, dando a impressão de que teremos guerra, porém era mentira, sendo um simples acompanhamento até a saída. As notas finais poderiam se repetir eternamente...

Pois bem crianças, isto é Opeth, uma banda com sonoridade extremamente pesada, que sempre teve bom gosto em suas composições, aliando vocais limpos aos guturais e investindo no progressivo que já foi enterrado várias vezes. Para quem conhece bem a discografia da banda, todas as músicas deste disco poderiam estar em qualquer disco deles, só tiveram o trabalho de agrupá-las e aplicar certo "conceito", por isto não reclame e aproveite um clássico. E para quem está ouvindo a banda pela primeira vez, ouçam o restante do trabalho e aprenderão a gostar de pancadaria também.


Para quem gostou muito da sonoridade do disco, leiam a matéria do Whiplash com Mikael, na qual ele cita as referências usadas para compor. Descobri coisas muito interessantes. Link: http://whiplash.net/materias/curiosidades/149309-opeth.html

Por hoje é só!
Grande Abraço!

domingo, 26 de maio de 2013

Black Country Communion - Black Country Communion II

Bem vindos!

Queridões, este é o primeiro post de 2013! Por quê? Porque o país só começa depois do carnaval? Porque o dono do teclado estava de cama? Inoperante? Bom, a verdade é que não deu mesmo e é isso aí. Prometo escrever alguma coisa que preste. Onde paramos mesmo? A sim, aquela coisa que nos foi apresentada pelo Capeta, chamada Rock.



Nossa história de hoje começa com nossos amigos bretões, sempre, sempre eles. Ela começa em dois momentos diferentes um há mais ou menos 62 anos a trás e o próximo há 47 anos. Baixo com voz e bateria respectivamente. O primeiro entrou numa das mais consagradas bandas do Reino Unido com a incumbência de substituir dois caras. E como desempenhou bem tal papel. Substituir Gillan e Glover ao mesmo tempo é para poucos. “A, mas tinha o Coverdale, Leandro!”. E daí que tinha o Coverdale, quem berrava pra caralho era o Glenn Hughes e ponto final. O outro é fruto de bumbos com alumínio e vodka com suco de laranja. Ele não é o maior virtuoso do instrumento, porém tem muito feeling e é descendente da porrada em pessoa.  Jason, e não é o dos filmes, traz o ácido desoxirribonucléico de Bonham para a melodia.

Sacrilégio, você não vai falar dos inigualáveis Joe Bonamassa e Derek Sherinian? Não me sinto muito a vontade para dissertar sobre estes dois cidadãos. O primeiro deu um show de soberba e arrogância ao sair da banda e achar que é o próximo Rory Gallagher. A insatisfação dele com a banda para mim não é motivo para proibir os remanescentes de usar o nome. Coisa de menininho mimado dono da bola. O segundo quis que a platéia gaúcha achasse legal uma manifestação de patriotada em seu show com Yngwie Malmsteen, outro calhorda de marca maior. O público tupiniquim agiu com a mesma repulsa característica dos norte-americanos, e o babaca fala de terceiro mundo? Ainda bem que tem o terceiro mundo para alimentar a boca destes ingratos. Falemos de música.



A banda reapresentou ao mundo aquela fórmula mágica de guitarra, baixo, teclado, bateria e vocais rasgados. Sinto muita falta de músicos que façam isso de forma inovadora e consistente. Resgatamos este orgulho perdido nos três álbuns do Black Country Communion, e neste post falo sobre o meu preferido, o segundo (óbvio). Prossigamos.

Certo, não vou ficar detonando os rapazes supracitados, tecerei elogios, prometo. The Outsider vai para eles. Derek e Joe casam bem os instrumentos, remetendo-nos a Ritchie e Jon, ótimo sinal. O riff de guitarra cumpre o prometido na letra: “Kill the Reaper”, ou, matar o ceifador, trocando em miúdos, matar a morte. É um belo começo, com muita energia, revivendo a força “púrpura” perdida de outrora. Joe traz o peso da tonalidade da “Gibson” para um clássico genuinamente de “Fender”, mais precisamente colocou o Jimmy Page para tocar um petardo de Deep Purple. Acho que essa é a melhor definição para o Black Country Communion, Deep Zepplin e Led Purple.

E Man In The Middle é mais uma demonstração disso, sinta o peso das baquetas da Famiglia Bonham. Glen Hughes parou com as drogas (pelo menos assim espero) e deve estar viciado em Yoga para conseguir cantar deste jeito com mais de 60 anos. Estamos na segunda música e Bonamassa já provou que tem muita criatividade, fazendo riffs e solos novos, coisa nova e música nova. É muito bom saber que ainda existem guitarristas que glorificam a herança blueseira, em detrimento aos estudiosos da velocidade, afinal, a base de tudo isso que gostamos está lá. Balance sua cabeça.



Já ouviu Ramble On, né? Já ouviu Going to California? Já ouviu Led, né, meu filho? Pois bem, óia eles aqui em The Battle For Hadrian’s Wall. Os acordes do discípulo são referências exatas às músicas supracitadas, falando o vernáculo do Led. E o que achar do bandolim, à la John Paul Jones? Os vocais são mais suaves, desferidos por Bonamassa, que prova ser um músico completo, calando a boca do que vos fala, porém creio saber separar o profissional da pessoa, nesse ponto não há o que falar. A facilidade com o qual a banda transforma momentos suaves em pancadaria me empolga bastante. Ouça os detalhes e note um clássico sendo construído.       

Agora um pouco de “Come Taste the Band”, ou, “You Keep On Moving”. Save Me relembra este passado perdido, quando o Purple experimentou outro guitarrista e deu relativamente certo. A virada instrumental lembra outro clássico, Gates Of Babylon. Como é bom sentir a ferocidade da escala menor harmônica novamente, fora do contexto heavy metal da atualidade. Como é bom saber que Ritchie e Jon ainda vivem na música. Ao final a psicodelia do grupo aparece um pouquinho e bends longos de Bonamassa perfuram nossa alma. Aleluia, aleluia.

Mais uma com clima altamente rock ‘n roll, quebrando um pouco a introspecção de Save Me. Smokestack Woman, não tem muitos segredos a serem desvendados, é a junção de força e riffs na sua essência, com o encaixe de um solo estilo “Summer Song” do xará Satriani. Um pouco dos gritos de Glenn caiem bem também.

Faithless oscila e disfarça. Começa deveras calma, dá uma má impressão. Uma escala que sobe escadas e depois desce de novo. O refrão é mais forte e intenso, porém, mesmo assim permanece calmo. O solo é rápido, tem um pouquinho de Stargazer, um pouco de Mistreated também, ou seja, quase uma sopa de letrinhas, mas com muita personalidade, não parecendo ser um cover de algo. Ao final, mais um sonoro John Paul Jones, agora nos teclados.

E novamente Bonamassa destaca-se no que faz de melhor, voz e cordas, por isto o critiquei no começo do post, ele detinha muita autonomia na banda, poderia ter aproveitado mais, enfim. Ordinary Son é outra que oscila de característica. Forma uma relação muito intimista entre guitarra e voz blueseira de Joe. As viradas cortam toda esta harmonia, culminando nos alegóricos gritos de Glenn. Vimos então uma perfeita parceria vocal, lembrando-nos de Hughes e Coverdale, guardadas as devidas proporções. O solo é cheio de Clapton a Gallagher. Queria que este filho ordinário não tivesse fim.

I Can See Your Spirit veio do mesmo embrião de The Outsider e Man In The Middle. Praticamente uma bastarda, uma filha com muitas mães. Possui tudo aquilo que já saboreamos bastante aqui no blog, riff pesadão, voz rasgada de Hughes e solo feroz e eficiente. E de tira gosto ainda rola um belo solo lordiano de teclado.

E agora um pouco de Since I’ve Been Loving You. Hein? É isso mesmo, Little Secret é formada primordialmente da fórmula matemática, blues lento + tom menor = sofrimento, que deu muito certo com o Led. Claro, como disse anteriormente, esta não é mais um cover e possui muita personalidade, porém os elementos estão lá, música que cresce, tem peso na guitarra, é coberta por um teclado que enche a melodia e a voz é sôfrega. A referência a Rory Gallagher continua, escute A Million Miles Away dele e chegue à suas conclusões.

Crossfire relembra um pouco da carreira solo de Glenn Hughes, principalmente o disco Soul Mover com Chad Smith do Red Hot Chilli Peppers na bateria. É a música com mais daquele swing que sempre marcou a carreira dele. Baixo e voz fazem este Mojo musical.

E por fim, na minha singela opinião, a melhor música do disco. Para quem possui o DVD Live In Europe sabe que Glenn dedica Cold a todos os amigos que já se foram. Não sei por qual motivo, mas ela sempre me causou uma tristeza funérea, depois que ouvi o DVD descobri o porquê. Escute a punhalada fria e certeira que este slide de Bonamassa crava em nossos corações. A voz aguda gela ainda mais esta ponta de lança. Por volta dos três minutos um riff mais ardiloso tenta aquecer nossos corpos, mas já é demasiado tarde.

Em especial gostaria de destacar o ótimo trabalho desenvolvido por Jason, ele realmente introjetou a estilística pesada de seu progenitor e incorporou-a na sonoridade da banda, empregando muita força em todas as músicas. Outro ponto forte da banda era a parceria Hughes Bonamassa, suas vozes e instrumentos completavam-se em nível quase espiritual. Pena os egos inflamados ainda permanecerem neste meio. Agora é aguardar mais notícias sobre o destino dos remanescentes e que venha algum guitarrista a altura. Sou pessimista e acho difícil haver continuidade que mantenha o nível apresentado até aqui.

Desculpem o hiato, quero voltar a escrever.

Grande Abraço.