Bem vindos!
Estou em débito com os amantes do
rock old school. Ultimamente tenho falado só sobre bandas mais novas, os
puristas vão me odiar, os anti velhices devem estar gostando. Vamos falar sobre clássico.
A banda, foco dos estudos de
hoje, é consagrada e muito conhecida. A história do Rock psicodélico e a
criação dela se confundem. A meu ver a doideira dos contemporâneos da era de
peixes, preconizadores da era de aquário, já fazia parte do inconsciente
coletivo da época. O modelo de vida hippie foi fruto de uma geração em guerra
que queria o “agora” maximizando os prazeres da carne. O ácido propiciou um
pouco disto, principalmente no que se refere à música. Pink Floyd foi o grande “usuário”.
Tudo dentro da normalidade até
agora, com um único tom. Atom Heart Mother,
a primeira e que dá nome ao disco, está dividida em seis partes: Father's Shout,
Breast Milky, Mother Fore, Funky Dung, Mind Your Throats Please e Remergence.
São várias músicas dentro de uma, mas gosto de pensá-la como uma só, mesmo tendo
delimitações. Logo no começo a apoteose e magnificência mostram aonde o disco
quer chegar, distorcendo sons de orquestra em meio a cavalos, tiros e explosões,
elementos freqüentes da época. Gilmour destila sua guitarra de colo repetindo
linhas melódicas, encerradas abruptamente pelo piano de Wright que repete três
acordes e só os troca no que parece um refrão. Se o solo vocálico de The Great
Gig In The Sky é de arrepiar, nesta música as vozes te tirarão o sono, abençoam
e maldizem. De novo Wright transforma tudo, fazendo dois acordes “alegres”, liberando
novamente Gilmour para correr em sua guitarra pelos campos verdes da capa do
disco, é a liberdade que faltava. Acabado o ar, as vozes reprimidas
anteriormente retornam, fazendo uma espécie de exercício fonoaudiólogo, dando
passagem ao tema principal novamente. Em um momento, a saudade de todos por Syd
Barrett volta, coroado pelo já famoso desencontro instrumental (que Zappa
adorava). E desta ebulição de notas fora da escala, todas as facetas da música
se encontram novamente em um único minuto. Ao final temos todos juntos, Waters,
Gilmour, Wright, Manson e o coral de
John Alldis, concluindo a jornada homérica. Esta música é para se ouvir em
silêncio, divagando sobre sua existência, quem sabe você acha uma resposta.
If
é o questionamento que propus na etapa inicial, escrita pelo revoltado Roger
Waters, que sempre tinha algo a dizer. A voz deixa tudo meio insosso, com uma
melodia que acompanha essa falta de sal. Creio que a vontade de Waters era
realmente gerar apatia. A guitarra retoca com suavidade essa falta de temperos
e aromas, lembrando até o jeito de Brian May.
E aqui minha favorita. Com
certeza Summer ’68 foi a obra prima
de Richard Wright, quem é fã de The Great Gig In The Sky me perdoe. É sensibilidade
pura em forma de notas, tanto no piano como na voz dele. Já dissertei muito
aqui no blog, sobre músicas que me proporcionam calmaria. Coloque está em
primeiro lugar! O tecladista mostra que é diferente de seus contemporâneos, que
possuíam fúria em seus dedos, ele não, sendo dono de suavidade suprema. Pena
Roger Waters ter monopolizado a força criativa do grupo, principalmente
tolhendo Wright. Agora ele se foi para o outro plano, infelizmente.
Fat
Old Sun é a calmaria proposta pela Fender Stratocaster de Gilmour.
Diferentemente de If, a falta de aromas da melodia é compensada com a bela voz
do guitarrista, que arranja tempo para versar um belo solo, mostrando que seu
estilo de tocar já estava mais que definido à época.
Lembram da psicodelia que falei
no começo? Ela tem nome, Alan’s Psychedelic
Breakfast. É a personificação do cidadão comum londrino, meio
parecido com o do resto do mundo, que acorda e arrasta suas chinelas pela casa,
fazendo tudo mecanicamente, seguindo o ritmo de um metrônomo em forma de
torneira pingando. Alan “acorda” para a vida, frita o ovo com bacon para se
sentir humano, mas ao mesmo tempo come os cereais que não nutrem, que chegaram
prontos a ele e não demandaram esforço. Ele chafurda em sua insignificância. A
banda então traduz esta inércia que Alan se encontra, em forma de música,
contrapondo o “alegre” e o “triste” que ele vive diariamente. Rise and Shine é
o começo do dia, com o sol ferindo a vista cansada dos olhos que ainda não se
acostumaram com a luz. Sunny Side Up é o meio do dia, em que as almas se calam,
e como disse anteriormente, chafurdamos em nós mesmos. Morning Glory é o fim do
dia, quando oramos para que o amanhã nos traga algo de novo. Tecnicamente,
caros leitores, não há o que falar da faixa. Como fiz acima, escute e divague
muito em cima das três melodias propostas pela banda.
Ao contrário de The Wall e Wish
You Were Here, este disco não tem temática principal, não tem contestação
explícita, nem nada. São os integrantes da banda dividindo atenções, mostrando
unidade na sonoridade que queriam fazer e enlouquecendo sem freio. Além de ser
pré ditadura de Waters, permitindo a criatividade de todos os membros. Meu
preferido do Floyd, sem sombra de dúvidas.
Até mais!
Grande Abraço!
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