sábado, 2 de junho de 2012

Alice In Chains - Facelift


Bem vindos, mentes elucubrantes!

Este é o primeiro de muitos posts de junho. Quero aproveitar o gancho grungístico deixado no último post e dissertar sobre outra banda que me fez olhar o rock de maneira mais simples e apaixonada.

Em meados do ensino médio, ainda possuía um gosto extremamente xiita quanto à música, conforme explanei no texto anterior. Na época fazia curso técnico de informática, tendo acesso assim, a nossa tão amada internet nas aulas. Lembro-me até hoje que um de meus amigos acessava um site que tinha algumas músicas e todo dia ele ouvia pontualmente Man In The Box. Eu muito orgulhoso de mim mesmo não aceitava aquele som, achava totalmente cru e sem o virtuosismo que me fascinava a época. Foram alguns anos à frente, após ouvir Soundgarden, que me permiti gostar de Alice in Chains. E gostei muito! Depois de vê-los ao vivo, ano passado, no SWU, mesmo não contando com a presença do finado Layne Staley, posso garantir que é uma de minhas bandas preferida. Vamos ao disco!



A capa do disco é algo de assustador. Cabelos ao vento, em tons de vermelho? Ou seria sua raiva saltando para fora? Acredito que todo mundo que escuta o álbum, termina ficando com esta cara! A foto diz muito sobre o momento vivido na época, bandas cheias de raiva e sentimentos petrificados explodiam e mostravam ao mundo que não era só na Inglaterra que rock de qualidade era feito. Foi um tapa na cara da cena musical, pois ainda se vivia o período negro que as bandas cheias de glitter do Glam Rock haviam deixado. Trocando em miúdos, o grunge trouxe de volta a sujeira ao Rock. E assim começa Facelift o álbum debut do Alice in Chains, que a meu ver, é tão importante quanto o Nevermind do Nirvana.

We Die Young começa pesada, bem suja como disse a cima. A melodia é heavy metal puro. O riff é sujo, assim como a letra, que fala do esgoto fétido que existe dentro das pessoas. Destaque para Layne Staley e Jerry Cantrell, dois monstros ao que se propõem a fazer. O primeiro tem um timbre de voz rasgado e muito forte. O segundo é extremamente técnico, o ouvi ao vivo, ele não erra sequer uma nota, mesmo tocando uma guitarra bem suja, que quase não se escuta a perfeição das notas, no entanto, ela está lá.


Man In The Box é a música que me fez gostar da banda. O riff é para lá de simples, sem muitas variações durante a música, apenas no refrão ele muda. Jerry usa um efeito chamado de Talk Box, geralmente para dar um ar de “guitarra que canta”. Este efeito aliado a voz rouca e grave de Layne é absurdo, este casamento dá certa raiva para a letra da música, que mistura merda, psiquismo e Jesus Cristo na mesma panela. Bem polêmica. O solo esta em conformidade com toda a música, agressivo, direto e muito bem executado.

Um piano monta uma melodia de metal, junto escuta-se uma guitarra slide bem devagar. As primeiras estrofes de Sea Of Sorrow são cantadas e de novo denunciam sentimentos que parecem ter sido jogados no lixo. A melodia em si é estranha, não conversa com a letra, pois são usados muitos acordes maiores, o que dá um tom alegre para a música, além do blues tocado por alguns segundo no meio dela. Creio que o objetivo aqui é ser irônico, falar de tristeza, mas não demonstrá-la. Outra vez Jerry Cantrell prova que é um grande guitarrista e compositor, fazendo um solo meio Hendrix divino.

Que início musical maravilhoso!!! A guitarra meio baixa dedilha alguns acordes, o baixo entra dando um andamento maléfico, um violão bem baixo começa a tocar também, Layne canta com a voz dobrada a primeira estrofe. A mistura está feita: Bleed The Freak. Aqui o tom da música muda para fazer o sangue jorrar, a raiva na voz de Layne continua, dá para ver suas mãos ensangüentadas. A melodia do início da canção volta, e sentimos o nosso corpo flutuando novamente.

Guitarra, violão e baixo de novo! Assim nossas mentes não agüentam. Algumas notas do que parece ser uma cítara, iniciam I Can´t Remember colocando mais um super riff para nosso deleite. A mistura guitarra, violão e baixo aparecem por toda a música e não saem mais da cabeça. É estranho, mas em todo o álbum, você verá referências pesadas a Deus, como se fosse uma súplica a ele, que parece tê-los deixado na mão. Esta música é mais uma delas.

Mais destaque para Layne, que começa cantando a la Ronnie James Dio! Sua voz é inconfundível e extremamente relevante para o tipo de sonoridade da banda, nesta faixa ele grita ensandecido, deve ter amado muito esta menina. Aqui temos um melodrama dos infernos. Love, Hate, Love lembra em muito a proposta da música flamenca, só que aqui, parece ter sido escrita por um amante que quer lavar seu ego com sangue.

It Ain’t Like That não foge a proposta do álbum. Outra melodia pesada, extremamente compassada e muito maléfica. Aliás, todo o álbum é maléfico e algumas letras são até meio doentias. Creio que falem muito do que passava na cabeça de Jerry e Layne a época, o último acabou morrendo devido ao abuso mais que excessivo das drogas.

Sunshine é talvez a música mais paradoxal do disco. O riff inicial relembra grandes momentos do rock, poderia ser de uma música do Led Zeppelin, Ten Years After, Grand Funk Railroad e etc. Em grande parte da música a melodia é alegre, forte e não causa tristeza, sofrendo uma série de variações em seu decorrer. Agora pare e leia a letra. É uma confissão, um processo de catarse, de falar de sentimentos vividos há muito tempo atrás e de assim, se livrar de toda a culpa sentida. Agora escute a música e veja se letra e melodia casam!

O começo desta faixa parece ter sido retirado do álbum 1984 do Van Halen. De novo tudo perfeito, Layne destruindo nos vocais, Jerry atacando de Eddie Van Halen, o que mais precisamos? Uma letra no mínimo indecifrável. Olhe isto: “Desolador, se sentindo bem/Corpo sobre... a mente/Está mais lenta, redução é dedicação também/Inspeção personalizada”, se você conseguiu entender, parabéns Put You Down foi escrita para você.

Confusion é auto-explicativa. É lenta e confusa. De novo como vimos em Sunshine e Sea Of Sorrow, temos uma melodia alegre, aliada a uma letra extremamente obscura, que aborda todas as mazelas da humanidade.

I Know Somethin (‘Bout You) é o momento mais divertido até aqui. Tem muito funk (de novo, não é aquele que toca no ônibus) e groove. Arrisco-me até a dizer que possa ter sido uma das influencias para Chico Science, pois tem muito ritmo e é deveras pesada. A letra é vingativa e não fala de dor, mas sim como provocá-la.

Real Thing encerra os trabalhos. É extremamente raivosa, todos os integrantes estão enfurecidos. O riff parece uma navalha que te retalha. Layne grita de ódio e prazer, parece regozijar-se por causar dor. A letra confirma isto e dá até certo medo. Aqui temos a referência mais clara as drogas, principalmente na parte final, em que Layne pronuncia algo, parecendo um viciado de rua, completando com uma tossida nojenta.

Tenho muito prazer em comentar os discos do Alice in Chains, pois é uma banda com muita capacidade criativa, que alia melodias muito bem construídas, com letras que falam da psique humana, com certa propriedade até. Para quem viu ao vivo, sabe que os caras têm muita lenha para queimar ainda. Seria uma pena Jarry Cantrell ter se aposentando após a morte de Layne, já que sua mente é deveras musical e ainda nos brindará com ótimos discos, como o Black Gives A Way To Blue, lançado recentemente.

Grande Abraço!

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